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"Não vou morrer", disse cantora gospel morta por bala perdida enquanto fazia café no RJ

Apesar do relato do filho, a direção do Hospital Estadual Alberto Torres informou que Eunice já chegou morta na unidade, com um ferimento no tórax. Outras duas pessoas [...]

Por Naldo Cerqueira em 15/12/2020 às 00:06:01

Apesar do relato do filho, a direção do Hospital Estadual Alberto Torres informou que Eunice já chegou morta na unidade, com um ferimento no tórax. Outras duas pessoas também foram baleadas naquele dia e chegaram a ficar internadas, mas já receberam alta: Antonio José Gomes de Souza, 40, e Gesse Soares dos Santos, 41.

A Polícia Militar disse que equipes do 7º batalhão (São Gonçalo) foram chamadas no final daquela tarde, quando ela já estava no hospital. A Delegacia de Homicídios da região foi acionada para investigar o caso, fez perícia na casa e colheu depoimentos dos familiares.

Eunice se foi sem ver terminada sua primeira música gospel gravada em estúdio, cuja primeira versão guardou num pendrive. Não era famosa, mas por onde andava espalhava música, desde muito nova. A última canção foi naquela mesma manhã no enterro de um tio, que morreu de causas naturais porque já era bem velhinho.

A fatalidade quase a fez desistir dos planos de ir, naquele final de tarde, à inauguração de um novo terreno da sua igreja, a batista Lagoinha de Niterói. Mas achou que o evento ia lhe fazer bem e, animada, mandou o filho comprar ingresso para lhe acompanhar. Também não deu tempo de ir.

Eunice ajudava qualquer pessoa sem distinção de credo, idade ou afinidade. Não era raro tirar de si para dar aos outros. Das compras separava um sabão ou um feijão, e partilhava. Sua paixão era ser fiel a Deus, diz Davi: “Ela sempre nos levou para a igreja, fez com que fôssemos pessoas do bem pra sociedade, foi o legado que ela deixou”.

Foi assim que levou a vida depois que se aposentou das cozinhas de duas escolas de São Gonçalo. As décadas como merendeira foram interrompidas por uma hérnia de disco que comprimiu seus nervos e tornou o andar mais difícil.

Além de Deus, dedicava a vida aos cinco filhos, de 39 a 23 anos, e aos seis netos. “Pode deixar que quando eu for para a rua levarei sombrinha e casaco, tá bem? As marmitas e roupas que a senhora passava e fazia, eu aprendi! Os ensinamentos? Eu aprendi também. Seu legado na Terra não será esquecido”, escreveu Davi nas redes sociais.

Fonte: Banda B

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