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Turismo absorve Cinemateca Brasileira de forma temporária

Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro estabelece a reabsorção temporária das atividades da Cinemateca Brasileira pelo Ministério do Turismo, pasta [...]

Por Naldo Cerqueira em 20/11/2020 às 22:50:13

Um decreto assinado pelo presidente Jair Bolsonaro estabelece a reabsorção temporária das atividades da Cinemateca Brasileira pelo Ministério do Turismo, pasta à qual está subordinada a Secretaria Especial de Cultura do governo federal. A medida, que será publicada no Diário Oficial da União na segunda-feira (23), determina o remanejamento de cargos em comissão para coordenação das atividades da Cinemateca.

"Com isso, será possível manter o gerenciamento de conteúdo e realizar ações para preservação da memória audiovisual brasileira", informou a Secretaria Geral da Presidência, em nota. Ainda segundo a pasta, a reabsorção das atividades vai vigorar até que se finalizem os procedimentos para celebração de novo contrato de gestão com entidade privada sem fins lucrativos para administração do acervo.

A Cinemateca Brasileira possui o maior acervo audiovisual da América Latina e enfrenta uma grave crise de gestão desde que parou de receber repasses do governo para a sua manutenção. Em agosto, a Associação de Comunicação Educativa Roquette Pinto (Acerp), que fazia a gestão da entidade, anunciou a demissão dos cerca de 40 funcionários que atuavam nas áreas de preservação, documentação, pesquisa e tecnologia da informação. A própria Acerp perdeu, em 2019, contratos com o governo federal para gestão da TV Escola, mantida pelo Ministério da Educação (MEC), o que piorou a situação financeira da associação.

O impasse na gestão da Cinemateca vem causando preocupação no setor audiovisual, principalmente em relação à preservação da memória cinematográfica mantida pela organização. Ao todo, são mais de 250 mil rolos de filmes e mais de 1 milhão de volumes que documentam a história do cinema, mas também dos principais acontecimentos sociais, políticos e econômicos do Brasil desde o início do século 20. Idealizada pelo crítico Paulo Emílio Salles Gomes, a Cinemateca foi fundada em 1946.

Nesta semana, o secretário especial de Cultura, Mário Frias, em entrevista ao programa A Voz do Brasil disse queocontrato sobre aCinemateca acabou em dezembro de 2019, mas estão vigentes os contratos emergenciais para manutenção. "Hoje todos os órgãos da Secretaria de Cultura, do Ministério do Turismo, a gente tem a Conjur, todo mundo está trabalhando para resolver esse problema. Basicamente hoje a gente tem os contratos emergenciais vigentes, são seguranças, brigada de incêndio, controle de pragas, água, energia elétrica, tudo o que é necessário para manter a estrutura. Obviamente a gente tem noção que isso não é suficiente e estamos trabalhando para novas medidas emergenciais. Mas o que a gente pode garantir hoje é que a Cinemateca está sendo tratada pelo governo federal, pela Secretaria de Cultura, com toda seriedade e com toda a preocupação que ela merece", disse.

matéria atualizada às 19h31 para acréscimo de informação

Fonte: Agência Brasil

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